Lídia Fernandes

Confesso que nem sabia que escrever. 

Porque parece andar tudo no reverso: a equidade refém de uma falsa neutralidade; a dignidade secundarizada por uma bafienta honra; o respeito confundido com obediência. E enquanto isso as grandes injustiças, aquelas que estruturam o país e fazem o nosso dia-a-dia, são tratadas como causas perdidas: “se sempre foi assim porque há de ser diferente?”
Não deixes de fazer o que tens feito Mamadou: denunciar que Portugal é um país estruturalmente racista e que se o ódio continuar a (ameaçar) matar continuaremos a ter medo de mudar. 

Enfrentemos o medo, pois. 

E mudemos.

Lídia Fernandes
socióloga