Vera Palos

A luta contra o racismo será sempre em carne e osso.

Não quero viver num país que se assume “não-racista, não homo/bi/transfóbico, não-machista” enquanto deixa as discussões e o pensamento de parte. Precisamos de assumir as culpas dos erros do passado colonial e discuti-las de forma a direcionar as forças para o presente e futuro. Não nos propomos a apagar a história, mas sim a contextualizá-la!

Continuaremos a meter o dedo na ferida enquanto se escreva nas lápides: machismo, racismo, homo/bi/transfobia. Continuaremos a meter o dedo na ferida enquanto nos quiserem proibir de ser quem somos, de tomarmos o espaço público ou de exigir a palavra em prol dos direitos das pessoas.  Que este seja um espaço de reflexão e de dar voz a quem a não tenha.

O Mamadou ensina-nos a não ter medo e não está sozinho!

Audre Lorde escreveu que usaria a sua raiva como fonte de energia para a luta interseccional, pois bem, que isto nos sirva de mote para quem acha que se justifica deportar ou matar tendo como base cor da pele, orientação sexual, género ou credo.

Também Audre nos ensinou que não seremos livres enquanto as nossas irmãs/irmãos não sejam livres, ainda que os grilhões sejam diferentes.

Vera Palos
tradutora