André Leal

Até muito tarde na minha militância política considerava o combate ao racismo como algo de cariz meramente humanitário e desagregado dum pensamento político mais profundo que questionasse o sistema capitalista que nos oprime. 

Depois, na minha militância, fui confrontado com o meu privilégio de homem branco, cis, hetero e de classe média e percebi que a opressão desse sistema não se manifesta de forma igual sobre as várias divisões socialmente construídas na nossa sociedade e que estas para mais não servem do que para mais facilmente manter a classe trabalhadora amorfa, desunida e, por isso, mais inoperante nas suas lutas. Lembro-me e lembrar-me-ei sempre perfeitamente do dia em que o Etiandro Costa clamou do púlpito da festa do partido da minha militância na altura (MAS) que “Portugal é um país racista”. Uma intervenção que ainda hoje tem impacto em mim.
Hoje não tenho qualquer dúvida que o Mamadou Ba e outr@s ativistas negr@s no nosso país estão a fazer um trabalho inestimável em prol de toda a classe trabalhadora e que, ao contrário de a desunir, como querem fazer crer, estão a trazer para a luta pessoas que não viam motivos para lutar. Agora essas pessoas vêem a sua condição específica e suas formas de opressão serem mencionadas e discutidas por toda a sociedade, muito embora seja ensurdecedor o ruído dos soundbytes , lançados de forma descontextualizada por aqueles que querem que nada mude.

E foi por causa destes ativistas que percebi que o pensamento que tinha e que referi no primeiro parágrafo não só estava errado, como é exatamente o inverso: a luta antirracista é essencial no combate ao capitalismo!

Por isso digo Mamadou Fica! E por isso lutarei com todas as minhas forças!

André Leal
ativista