Solange Salvaterra Pinto

Carrego a minha ancestralidade, a minha negritude e pretitude.

E tenho atitude.

As tuas armas armam- me também.

A tua força, fortalece- me também.

A tua luta, defende- me.

Defende- nos.

Protege- me.

Protege- nos.

Que te posso dar em troca?

Como te agradecer por tantos anos de resiliência, de persistência e resistência?

Persisto contigo

Resisto contigo.

Porque só persistindo e resistindo eu existo.

E precisamos existir para continuar a persistir.

E sorrio para existir contigo!

E como diz a filosofia Ubuntu

” Eu sou porque tu és”

Tu ficas!

Se tu sais, saímos todos.

Por isso tu ficas Mamadou!

Se a Maya Angelou te conhecesse ela diria

Mamadou é um homem fenomenal.

Solange Salvaterra Pinto
Activista antirracista, feminista e interseccional

Raquel Freire

O Mamadou Ba é das pessoas que mais lutou pela Justiça neste país. Por isso os fachos o querem expulsar. O Mamadou lutou pela Justiça para quem não tem nada, para quem não têm acesso à própria Justiça, crianças,mulheres, pessoas lgbti, pessoas migrantes, racializadas ou não. E não tem medo. Seja contra os neonazis na rua, seja na Assembleia Municipal, seja na Praça Pública, por isso o querem calar. O Mamadou esteve comigo na organização da Marcha do Orgulho Lgbti de Lisboa 2007. Organizou a Festa da Diversidade que das coisas mais importantes que Lisboa tem. Esteve também na organização do protesto da “Geração à rasca “ em 12 de Março de 2011. Estivemos de braços dados nas ruas a lutar pela democracia neste país, companheiro.

Toda a solidariedade com #MamadouBa. Estou aqui para te defender. “1º vieram buscar…” Estamos aqui.

Raquel Freire
realizadora

André Pereira

Estou emcarneeosso com o Mamadou Ba!

Para mim não há muito a dizer sobre esta questão, mas isto é para mim que cresci com um frase que fui vendo repetida em diferentes sítios – numa cómoda antiga de família, numa estação do Metropolitano, nos livros da escola, etc… – “Não sou Grego nem Ateniense, mas sim um Cidadão do Mundo” (frase atribuída a Sócrates).

Seguindo este pensamento, não faz sentido algum qualquer diferenciação com base na cidadania de um ser humano. Aceitando que nem todas as pessoas valorizem a citação indicada do mesmo modo que eu, ainda menos sentido faz a expulsão do seu país de qualquer cidadão que tenha optado por ser cidadão desse mesmo país… É ilógico, é ridículo, é racismo!

Mamadou Ba fica!

André Pereira
gestor

Paula Melo

Mamadou fica, claro. Ao nosso lado.

No nosso país que alguns querem de brancos costumes resistiremos juntos,  Mamadou.

Somos muitos  contra a estupidez do mal que  quer silenciar a tua voz que não se resigna,  a tua coragem  e combatividade na denúncia da exploração do homem pelo homem, da discriminação, da pobreza, da injustiça.

Estamos juntos, com  alegria e generosidade, em todas as lutas necessárias para construir uma sociedade mais justa e fraterna, mais livre e feliz.

Mamadou ficas, claro. E nós  ficamos. 

Paula Melo
professora

João Freitas

A petição lançada contra o Mamadou não foi apenas um ataque pessoal, mas também mais um sintoma do racismo estrutural presente neste país.

O combate ao racismo, o antifascismo, a igualdade, a superação da sociedade onde vivemos, são lutas onde o Mamadou sempre esteve na linha da frente. E é precisamente por isto que quem o odeia o ataca, instiga o ódio, bem como legitima a violência perante as pessoas racializadas e não permite que possam melhorar as suas condições.

Enquanto estas condições permanecerem, a luta será necessária e o Mamadou continuará a dizer “Presente!”. Por isso, ele merece toda a solidariedade.

Mamadou fica!

João Freitas
estudante

Sara Figueiredo Costa

Podia começar por lembrar que não se deportam cidadãos nacionais, mas isso seria apenas dizer aos néscios o que eles já sabem. Na verdade, acredito que ninguém deveria ser expulso de um país, tenha ou não carimbo de cidadania plena, mas também não é esse o ponto. Nesta altura em que a extrema-direita cerra fileiras e uma série demasiado grande de pessoas ingénuas finge não perceber que é preciso não deixar passar essa gente perigosa, atirar com a lei ou as regras básicas de humanidade é dizer pouco. Quando um bando de energúmenos faz crescer o seu número atrás de inúmeros perfis falsos e vem dizer que Mamadou Ba tem de ser deportado, esse bando não desconhece a lei (ainda que seja imune a regras básicas de humanidade), está simplesmente a assumir sem vergonha que sente um profundo incómodo por haver pessoas negras que são cidadãs portuguesas e, ainda mais, pessoas negras que não pedem licença para dizerem aquilo que pensam, também sobre o país em que vivem, o seu passado, o seu presente e as relações entre ambos. Suponho que seja isto o que mais incomoda os energúmenos, uns encartados e bem enfileirados em organizações assumidamente racistas, outros distraídos pelo discurso fácil de encontrar um bode expiatório qualquer. Independentemente das razões, parece-me óbvio que o que há a fazer é deixar clara a solidariedade com Mamadou Ba, assumindo antes de tudo que as ameaças dos bárbaros não podem ter espaço. E assumindo também que um país se faz com a comunidade de pessoas que nele vive, tendo ou não nascido aqui, tendo ou não um documento que as confirma como cidadãs. Já me cruzei com Mamadou Ba numas quantas manifestações, mas não o conheço, não somos amigos, não sei o que pensa para além daquilo que vai dizendo no espaço público – e o que vai dizendo é muito e devia ser matéria para pensar e discutir, coisas tão diferentes de ameaçar e querer excluir. A partir do momento em que o vejo ser alvo de ataques racistas, bullying e ameaças que não são feitas de ânimo leve, só posso estar ao seu lado.

Sara Figueiredo Costa
jornalista



Eduardo Ascensão

Obrigado, Mamadou Ba, por tudo o que fazes pela democracia portuguesa, para nela tod@s terem lugar de pleno direito. Não nos conhecemos nem isto devia ser preciso em 2021, mas aproveito a estupidez malévola de 30 mil para humildemente te agradecer. Obrigado.

Eduardo Ascensão
geógrafo