Merai

Mamadou: Livre

Deixem os nossos soldados combater! Não são soldados da violência

São soldados da paciência Que empunham palavras

E medem a tolerância como um escudo leve Que permite insultos e injúrias

no “país” “livre” que somos.

Ofende a alguns que soldados combatam Uma luta que querem crer não existir.

Querem silenciar-nos?

Devemos ser um coro dissimulado Então porque vos incomoda?

Porque contraria a vossa crença?

Lamentamos rebentar a vossa bolha confortável O sofá, a televisão, a comida pré-fabricada,

A mindfulness, as meia do natal, a performance parada

Mas a vida não pára

Não pedimos que se importem Pedimos que ajam!

Há quem viva onde o oxigénio pulsa E os tecidos não estancam o sangue

Há quem dance por cima disso também Ninguém é miserável

Somos histórias que se contam a si mesmas Com um brilho nos olhos

Histórias que merecem ser ouvidas e contadas Tidas em conta pelo Homem

Não nos arranquem páginas Há sempre espaço

E podemos dar o primeiro passo

Todos os dias guardam a semente da oportunidade

Perguntemos:

Que mundo é este em que a palavra encarcera?

Que mundo é este que protege mais os cadáveres que os vivos?

Que mundo é este que vê os seus filhos a arrecadar pedras nos bolsos por uma destruição precoce?

Que mundo é este e em que se está a tornar? Deve ser um mundo que se detesta

Mas nunca é tarde

Merai
estudante

Ricardo Cabral Fernandes

Mamadou Ba fica. A petição para deportar Mamadou Ba é intolerável e mais um exemplo do racismo estrutural em Portugal. Foi mais um ataque à democracia. Foi mais um ataque racista entre tantos que Mamadou Ba vem sendo alvo há vários anos. Mas Mamadou Ba não se cala e faz frente sem quartel a quem quer perpetuar o racismo no país e no mundo. E essa coragem é cada vez mais necessária. 
Mamadou não pode ficar sozinho. Nem vai ficar sozinho. Mamadou Ba fica. Toda a solidariedade.

Ricardo Cabral Fernandes
jornalista

Rafael Ayres

Mamadou Ba fica e com ele ficam os direitos humanos, 
Fica a resistência contra quem cultiva medo.

Contigo e com quem precisar estou aqui para que o futuro seja diferente,

Quero menos ódio e mais equidade.
Mudemos as bandeiras nacionalistas para bandeiras de fraternidade e solidariedade.
Juntos na luta anti-racista construímos sem ninguém ficar para trás.

Rafael Ayres / Van Ayres
performer

Joana Gomes Cardoso

Mamadou Ba tem sido uma das pessoas mais persistentes na defesa dos valores democráticos de Portugal. 

Ao longo de muitos anos, expôs e denunciou casos específicos de violência sobre minorias, o que lhe tem valido, a si e à sua família, ataques e ameaças que não são toleráveis num país.

O recente apelo à sua deportação é só mais um exemplo da campanha racista de que é alvo e da tentativa de intimidar e condicionar a luta anti-racista em Portugal.

Joana Gomes Cardoso,
gestora cultural

Paulo Vitorino Fontes

Manifesto a minha solidariedade, em carne e osso, com Mamadou BA e com aqueles e aquelas que sofrem e lutam contra o racismo. Essa ideia de que existe um tipo de pertença entre um território e uma pessoa ou um grupo de pessoas, um povo, uma nação ou um sangue é muito perigosa e já causou pelo menos duas guerras mundiais e vários genocídios. Ninguém escolhe onde nascer, mas escolhendo onde quer viver, é aí que deve pertencer. Como Hannah Arendt disse e lutou, o direito a ter direitos começa com o direito a ter um lugar no mundo, o primeiro direito fundamental.

Se olharmos à história das migrações, comprovada pela ciência da genética, somos todos e todas da mesma raça, e também já fomos migrantes, saímos todos de África. Nesse sentido, todas e todos nós somos ou já fomos negros ou pretos, pelo que racionalmente não faz qualquer sentido o racismo. A cor de pele é apenas uma adaptação da espécie a climas mais quentes.
No entanto, o racismo continua a existir na nossa sociedade, muitas vezes disfarçado e raras vezes assumido. Temos que desconstruir o racismo e a xenofobia, começando em nós próprios e não baixar armas na luta contra o fascismo disfarçado de populismo.
A luta continua!


Paulo Vitorino Fontes
sociólogo