Ricardo Alves

Estou solidário com Mamadou Ba porque a liberdade de expressão deve permitir chamar «assassino» a quem foi condenado por violência racial na noite da morte de Alcindo Monteiro, nunca manifestou arrependimento e continua a seguir a mesma ideologia intolerante e violenta que já o levou várias vezes à prisão. Só haveria difamação se o visado estivesse arrependido do seu passado, o que não consta que seja o caso. O debate político deve incluir a possibilidade de denunciar em termos verbalmente violentos quem praticou a violência física. Será portanto um uso perverso da lei condenar Mamadou Ba por fazer política pelas palavras contra quem fez política pelas armas.

         Estou solidário com Mamadou Ba porque entre um antirracista e um nazi a escolha é óbvia. Com o primeiro posso discordar de estratégias e objectivos parciais, mas o segundo é um caso de polícia.

         E estou solidário com Mamadou Ba porque nas suas décadas de combate antirracista pode ter tido erros e acertos, mas esteve sempre empenhado num combate necessário.

Ricardo Alves
dirigente associativo