Ferat Koçak

Caro Mamadou, car@s anti-racistas,

Tu e o SOS Racismo podem contar com toda a minha solidariedade! Sei bem pela minha própria, e triste, experiência em quantos casos de violência racista acontece inverterem-se os papéis da vítima e do criminoso. Eu próprio fui vítima em 2018 de um atentado com fogo posto e tive de constatar, uma e outra vez, que as autoridades não mereciam confiança e que constantemente punham em dúvida o que tinha acontecido. No meu caso, havia polícias que tinham relações de amizade com os suspeitos, um procurador do Ministério Público que manifestava a sua afinidade com a extrema-direita e a juiz começou por não querer aceitar-me como assistente no processo, pondo em dúvida que eu tivesse sofrido bastante para isso.

Criminosos nazis são criminosos nazis. Foi a propósito do teu caso que pela primeira vez ouvi falar do assassínio de Alcindo Monteiro. Assassinado aos 25 anos. Descansa em força, Alcindo! Essa foi uma agressão que se inscreve em centenas de assassínios de organizações de extrema-direita e faz parte de uma vaga brutal contra pessoas com origem migrante, antifascistas, sem-abrigo, queers e muitos outros, que não correspondem à imagem de humanidade que têm os nazis. Fico com a impressão de que – muito à semelhança do que sucede na Alemanha – as chamadas forças de segurança também neste caso são cegas do olho direito, que ignoram o perigo da direita, muitas vezes deliberadamente, porque não encaixa na sua agenda. E, esta verdade, temos de dizê-la sempre, uma e outra vez.

 Caro Mamadou, envio-te de Berlim saudações antifascistas, espero que o processo contra ti seja arquivado, que possas prosseguir sem entraves e com muita solidariedade o teu activismo e que possas em breve ver a tua família!

Com saudações antifascistas,

Ferat Koçak, membro do Parlamento de Berlim, porta-voz para a política antifascista

Lieber Mamadou, liebe Antirassist*innen,

Du und SOS Racismo haben meine volle Solidarität! Aus eigener, trauriger Erfahrung kann ich ein Lied davon singen, wie in vielen Fällen von rassistischer Gewalt eine Umkehr von Täter und Opfer stattfindet. Ich selbst wurde 2018 Opfer eines rechtsterroristischen Brandanschlags und musste immer wieder erleben, dass auf bürgerliche Behörden kein Verlass ist und dass die eigene Betroffenheit immer wieder in Zweifel gestellt wird. In meinem Fall hatten Polizisten freundschaftlichen Kontakt mit den Verdächtigen, ein verantwortlicher Staatsanwalt drückte seine politische Nähe zu den Rechten aus und die Richterin im Prozess wollte mich zunächst nicht als Nebenkläger zulassen, weil sie anzweifelte, ob ich wirklich genug betroffen bin.

Mörderische Nazis sind mörderische Nazis. Ich habe im Zusammenhang mit deinem Fall das erste Mal vom Mord an Alcindo Monteiro gehört. Ermordet mit 25 Jahren. Rest in Power, Alcindo! Es ist eine Gewalttat, die sich in hunderte von Morden der organisierten Rechten einreiht und Teil einer brutalen Welle gegen Menschen mit Migrationsgeschichte, Antifaschist*innen, Wohnungslose, Queers und viele andere ist, die nicht in das verachtungswürdige Menschenbild der Nazis passen. Mir scheint es – sehr ähnlich zu Deutschland – dass die sogenannten Sicherheitsbehörden auch in diesem Fall auf dem rechten Auge blind sind und die Gefahr von rechts ignorieren, manchmal sogar willentlich, weil es in ihre Agenda passt. Diese Wahrheit müssen wir immer wieder aussprechen!

Lieber Mamadou, ich schicke dir antifaschistische Grüße aus Berlin, hoffe, dass der Prozess gegen dich fallen gelassen wird, du deinen Aktivismus ungestört und mit viel Solidarität in Portugal weiterführen kannst und  auch bald wieder deine Familie sehen kannst!

Mit antifaschistischen Grüßen,

Ferat Kocak, Mitglied des Berliner Abgeordnetenhaus, Sprecher für antifaschistische Politik