João Rosário

Quando era adolescente, foi-me recomendado não responder ao mais básico racismo. A ignorar, a passar à frente ou a fingir que não me ofendia.

Sei agora que cresci a acreditar que tinha menos direitos. Que outros e outras como eu tínhamos de nos calar sem perceber que isso me diminuía. Daí a minha enorme admiração por Mamadu Ba, o insubmisso. Porque, pela sua voz, fala o que é preciso para que os nossos filhos sejam melhores que nós a cuidarem uns dos outros. E fala o que eu não disse quando crescia.

Se é assim todos os dias, mais será agora quando a nossa causa justa é afrontada pela indignidade de se admitir que são iguais quem, pelos atos de uma vida, mostra que quer o amor e quem, no seu percurso, alimenta o ódio.

João Rosário
jornalista