António Alfredo Poeiras

A Mário Machado são atribuídas as seguintes palavras: “O ódio é um sentimento tão nobre quanto o amor, faz parte da nossa natureza e tudo o que vai contra a natureza é que tem que ser combatido. Vejo os nossos políticos, e a comunicação social por exemplo, mais preocupadas em combater o ódio do que a censurar os paneleiros, os pedófilos, e afins. Adoro a confrontação física, agarrar na escumalha e dar lhes pontapés na cabeça, socos, sentir a adrenalina a disparar, a emoção ao fugir à polícia. Um dos anos mais felizes que tive foi o ano que esfaqueei 11 pessoas, recorde absoluto, o sentir da faca a entrar, o inimigo a desfalecer, o seu olhar de pânico, tudo isto em conjunto dá-me vida, recarrega-me as baterias. Adoro bater nas pessoas!” (Texto de 2006 ou 2007, lido no 07/01/2019 por Daniel Oliveira, no programa o “Eixo do Mal”).

A “nossa riqueza” europeia assenta na divisão social e racial do trabalho e na exploração desenfreada de matérias primas e, também por isso, continuamos a reproduzir estruturas sociais herdadas do colonialismo e do esclavagismo.

Uma delas, a reprodução de hierarquias de valor com base na cor da pele, o racismo, tem sido objecto do combate de Mamadou Ba. Habituado por isso ao ódio dos racistas como Mário Machado, que assumida e orgulhosamente o é, como prova a citação acima, talvez não contasse que também as estruturas encarregadas da administração da justiça dessem acolhimento à confusão entre o ódio orgulhoso de um racista e o combate contra a descriminação racial.

Um aparelho de justiça que se presta a tais confusões, tornou-se um inimigo dos cidadãos que tem por missão defender, sobretudo dos que são atirados para o degrau mais baixo da hierarquia social e daqueles que, como Mamadou Ba, se entregam ao combate pela igualdade entre todos, independentemente da sua origem social ou racial.

Perfilarmo-nos a seu lado, é a menor das nossas obrigações.

António Alfredo Poeiras
desempregado