Merai

Mamadou: Livre

Deixem os nossos soldados combater! Não são soldados da violência

São soldados da paciência Que empunham palavras

E medem a tolerância como um escudo leve Que permite insultos e injúrias

no “país” “livre” que somos.

Ofende a alguns que soldados combatam Uma luta que querem crer não existir.

Querem silenciar-nos?

Devemos ser um coro dissimulado Então porque vos incomoda?

Porque contraria a vossa crença?

Lamentamos rebentar a vossa bolha confortável O sofá, a televisão, a comida pré-fabricada,

A mindfulness, as meia do natal, a performance parada

Mas a vida não pára

Não pedimos que se importem Pedimos que ajam!

Há quem viva onde o oxigénio pulsa E os tecidos não estancam o sangue

Há quem dance por cima disso também Ninguém é miserável

Somos histórias que se contam a si mesmas Com um brilho nos olhos

Histórias que merecem ser ouvidas e contadas Tidas em conta pelo Homem

Não nos arranquem páginas Há sempre espaço

E podemos dar o primeiro passo

Todos os dias guardam a semente da oportunidade

Perguntemos:

Que mundo é este em que a palavra encarcera?

Que mundo é este que protege mais os cadáveres que os vivos?

Que mundo é este que vê os seus filhos a arrecadar pedras nos bolsos por uma destruição precoce?

Que mundo é este e em que se está a tornar? Deve ser um mundo que se detesta

Mas nunca é tarde

Merai
estudante