Paulo Vitorino Fontes

Manifesto a minha solidariedade, em carne e osso, com Mamadou BA e com aqueles e aquelas que sofrem e lutam contra o racismo. Essa ideia de que existe um tipo de pertença entre um território e uma pessoa ou um grupo de pessoas, um povo, uma nação ou um sangue é muito perigosa e já causou pelo menos duas guerras mundiais e vários genocídios. Ninguém escolhe onde nascer, mas escolhendo onde quer viver, é aí que deve pertencer. Como Hannah Arendt disse e lutou, o direito a ter direitos começa com o direito a ter um lugar no mundo, o primeiro direito fundamental.

Se olharmos à história das migrações, comprovada pela ciência da genética, somos todos e todas da mesma raça, e também já fomos migrantes, saímos todos de África. Nesse sentido, todas e todos nós somos ou já fomos negros ou pretos, pelo que racionalmente não faz qualquer sentido o racismo. A cor de pele é apenas uma adaptação da espécie a climas mais quentes.
No entanto, o racismo continua a existir na nossa sociedade, muitas vezes disfarçado e raras vezes assumido. Temos que desconstruir o racismo e a xenofobia, começando em nós próprios e não baixar armas na luta contra o fascismo disfarçado de populismo.
A luta continua!


Paulo Vitorino Fontes
sociólogo