Francisco d’Oliveira Raposo

Criou-se uma onda de criticas, ataques e insultos contra o companheiro Mamadou. Dizem que Mamadou é «radical» promove o ódio, até que é «racista». Usam a técnica do Estado Novo, que classificava de «terroristas» os combatentes africanos pela libertação nacional. E como o Estado Novo soube explorar a ignorância da massa de camponeses que foram mandados paras as guerras em Africa, hoje a extrema-direita, com a cumplicidade gritante de sectores do Estado, nomeadamente nas Policias e Forças Armadas, explora o racismo latente e institucional na nossa sociedade. O alvo visível é Mamadou. Mas o motivo deste ódio é começar-se a ver jovens, raparigas e rapazes que começam a sair à rua e a exigir – com todo a razão – o direito à nacionalidade, o fim da discriminação, o fim da violência policial sistemática e da sobre-exploração a que estão sujeitos à gerações. Pergunto-me quantos dos que atacam Mamadou nem se dão conta que se estão atacar a si próprios. Creio que são a maioria: os que sentem medo pelo sue futuro, e é-lhes mais fácil atacar os oprimidos porque não sabem como sair deste beco sem saída que o sistema esta a confinar a maioria. Por detrás deste ódio construído e disseminado contra Mamadou estão os exploradores e os pequenos Führers que eles produzem. Que eles se desenganem! Saberemos construir as pontes necessárias que unifiquem os explorados e os oprimidos contra os exploradores e os seus pequenos Führers. E, estou certo, que nesse processo Mamadou, em Carne e Osso, dará o seu contributo.

Como diz a canção

Mas, sim! a terra treme

os dias maus vão acabar.

O contra-ataque não se teme

Se toda a gente se juntar!

Francisco d’Oliveira Raposo
assistente técnico (Educação Ambiental) da CM de Lisboa / ex-dirigente do STML