Helena Ribeiro

A única possibilidade de futuro é, tem de ser, anti-racista. Cresci num país que glorifica os feitos coloniais, desde o momento das ditas “descobertas” até ao mutismo complacente presente quando, na escola, nos falam da guerra colonial. Os fantasmas levantados pela ascensão da extrema-direita são isso mesmo, presenças que se pretendiam ocultas. Quero viver num país que luta de forma igual pelos direitos de todos e todas aquelas que nele vivem. Quero ver reformada a agenda colonial dos currículos escolares. Anseio pelo momento em que, colectivamente, este país tenha a coragem de se enfrentar, tentando construir um futuro digno porque transformador. Sei que não posso contar com os poderes instituídos para que essa mudança aconteça. E é por isso mesmo que agradeço ao Mamadou Ba, um dos mais activos participantes na luta anti-racista, luta indispensável ao exercício de uma sociedade livre e humana. Mamadou Ba fica.

Helena Ribeiro
estudante