Francesca Esposito

O Mamadou fica, porque é um companheiro generoso e corajoso na luta contra a discriminação e a violência e pelo direito de todxs a ter direitos. Conheço o Mamadou há muitos anos e ele sempre esteve ao lado dxs mais marginalizadxs. Nunca se poupou, nunca desistiu, nunca se cansou! Mamadou ensinou-me e ensina-nos muito, todos os dias.

O uso do sistema de controlo da imigração para o atacar é, ao meu ver, só a demonstração da natura estruturalmente racista do mesmo. Mamadou é português e, portanto, não pode ser deportado para lado nenhum. Ele é livre de escolher se quer estar em Portugal ou não (como aliás deveria ser toda a gente no mundo). A mobilização do ‘dispositivo da fronteira’ permite neste caso ver com clareza a natureza racista e colonialista das mesmas e das práticas a estas associadas, inclusive a detenção e deportação. Dizer que querem deportar o Mamadou é dizer querem deportar o antagonismo, a dissidência, o antirracismo. É uma afirmação de supremacia branca.

Ao Mamadou, digo: estamos juntxs família e seguimos em marcha até que todxs sejamos livres!

Francesca Esposito
investigadora