Anizabela Amaral

O Conselho da Europa promoveu durante alguns anos uma ação de formação denominada “Participation and Citizenship”, na qual um dos objetivos era motivar jovens pertencentes a minorias étnicas, que pudessem criar um efeito multiplicador nos seus países, envolvendo cada vez mais jovens na luta contra o racismo e a intolerância.  

Em 1998 tive a oportunidade de participar nessa ação em representação do SOS Racismo e no final estava ciente da importância do meu papel como cidadã racializada para que mais jovens se sentissem confiantes para se expressarem, numa altura em que sentíamos que ninguém nos escutava, ninguém nos via, ninguém nos valorizava.

Depois de me envolver em alguns projetos que me enriqueceram muito em todos os aspetos e que tiveram repercussões muito boas, acumulei também um desgaste causado pela incompreensão da maioria e pela maldade de muitos que aumentava a cada dia na mesma proporção da minha motivação. O ódio em forma de ameaças e insultos pode transformar muito as nossas vidas e fazer-nos deixar de acreditar na mudança, na nossa força e nas nossas capacidades.

O Mamadou Ba representa essa força que se apagou em mim quando decidi caminhar sozinha, num espaço circunscrito num núcleo mais próximo.

O Mamadou Ba tem a determinação que a comunidade racializada precisa para acreditar que vale a pena denunciar, lutar, falar e existir.

O Mamadou Ba é um homem muito corajoso que transporta consigo uma verdadeira vontade de mudança e inspira-nos a não caminhar sozinhos.

O Mamadou Ba veio para ficar e tem o direito de estar onde ele desejar, por isso, fica.

É um privilégio para mim que ele queira ficar aqui.

Anizabela Amaral
jurista