Rita Travassos

No país da má memória muitos se recusam olhar ao espelho. Teimam em dourar o passado ou em esquecê-lo. É que esse Portugal nunca existiu.  Demasiados foram sendo coniventes com esse silêncio. E aqui estamos, aqui somos, ainda a defender o óbvio: Eu estou com Mamadou Ba.
É preciso que voltemos atrás. A nossa jovem Democracia assim o exige. Jovem porque imatura. Imatura porque reparem bem como reage às feridas por sarar. Não é este o Portugal de Abril. É outra coisa.
Não podemos voltar a calar palavras: Ditadura, Colonialismo, Guerra, Fascismo, Indiferença. Racismo. E medir-lhes devidamente o peso, a forma como impactaram e ainda moldam milhares de vidas. Desafiarmos realmente a memória. Assumir responsabilidades. Eu estou com Mamadou Ba.
Só assim poderemos avançar. Só assim poderemos amadurecer.  Ver, ouvir, sentir corpos e vozes invisibilizados, racializados, esquecidos. Negligenciados. Eu estou com Mamadou Ba.
O direito à diferença está enraizado na condição humana. Somos feitos de diversidade. É este o país em que nasci. É este o país em que quero viver. Diverso, múltiplo, digno.
Eu estou com Mamadou Ba.

Rita Travassos
escritora