Jean-José Mesguen

Traduziu a letra de “Mamadou m’a dit” – François Béranger


Mamadou me disse
Mamadou me disse
Depois de espremerem o limão
Podem deitar a casca
Os limões são os pretos
Todos os pretos da África
Senegal Mauritania
Alta-Volta Togo Mali
Costa de Marfim e Guiné
Camarões e tutti quanti
Os colonos partiram ao som das fanfarras
Dos discursos solenes das benções
Cada povo claro que dispõe de si mesmo
E tem que prosperar na harmonia
Logo que acabou roubado sangrado
Despojado até que ficou nada
O mundo branco gargalha quando um sargentinho
Se coroa imperador com tanta vanglória
Isso não importa enquanto as terras
Produzem para os brancos o que for necessário
Algodão amendoim acúcar cacau
Enchem os navios atulham os armazéns
Os colonos partiram
Colocaram no seu lugar
Uma nova elite
De negros bem branqueados
O mundo branco gargalha
Os novos como é esquisito
São piores que os de antigamente
É com certeza um acaso
Afinal de contas está tudo bem
Os colonos partiram
A África que se desenrasque
Que os camponeses morram
Os colonos partiram
Levando nas bagagens
Uns barcos de escravos
Para não perder o jeito
Uns barcos de escravos para varrer as ruas
São todos iguais com aqueles gorros
Passam frio na pele e ainda mais no coração
Lá tem fome e aqui tem miséria
E pois é preciso as vezes comer e dormir
Em lares pocilgas se vive no sórdido
Os colonos partiram
Colocaram no seu lugar
Uma nova elite
De negros bem branqueados
O mundo branco gargalha
Os novos como é esquisito
São piores que os de antigamente
É com certeza um acaso
E um dia a Crise
Também nos invade
Temos que devolvê-los para sua casa
Ficarão mais felizes
Damos-lhes uma gorjeta
É preciso estar liberal
E se alguém resmungar
Um pontapé no rabo
Entendeu Senhor não é normal
Eles comem o nosso pão olham para as nossas mulheres
Que façam de macaco nos coqueiros deles
Os nossos pretinhos que cuidamos tão bem
E verdade que basta de um nada para diverti-los
Semprem riem-se não passam de crianças
Os colonos partiram
Colocaram no seu lugar
Uma nova elite
De negros bem branqueados
O mundo branco gargalha
Os novos como é esquisito
São piores que os de antigamente
É com certeza um acaso

Jean-José Mesguen
professor aposentado e tradutor