Alexandre Cruz

Durante demasiado tempo fomos ensinados a acreditar que o trabalho estava feito, que o inexorável caminho do progresso nos tornaria iguais, justos e conhecedores. Como se, mesmo virando a cara às lutas e às injustiças, a marcha imparável do tempo limasse as arestas da Humanidade e equilibrasse a balança dos sonhos. Como agora vemos, e muitos sempre avisaram, nada disso era verdade. Entre os que avisaram estava, está e estará Mamadou Ba, ele próprio uma voz da alteridade forçada de uma sociedade ainda cheio de esqueletos no armário da sua História e que teima em não enterrar, fazendo o luto e acerto de contas devidos. Não acordaremos sem vozes com a do Mamadou. Não enterraremos os nossos esqueletos, definitivamente, se não lhe seguirmos o exemplo. Não seremos o que prometemos a nós próprios, pelo menos nos momentos de lucidez, se não formos mais como Mamadou. E, por tudo isto, seguimos com ele. Aqui, em carne e osso. Obrigado, Mamadou.

Alexandre Cruz
farmacêutico