Renato Teixeira

O Mamadou fica, os fascistas vão embora!

Quem manda outros para a sua terra devia lembrar que os seus países já ocuparam a terra de quem querem expulsar. É todo um tratado sobre o alheio e não é à toa que seja um insulto vezeiro em países com pegada colonial. Não querem na sua terra quem vem de outra terra, mas aplaudem quando foram os seus a ir para as terras de quem querem expulsar, fazer bem pior do que trabalhar, pagar impostos e sobreviver. Quando a situação política e económica se degrada há uma tentação forte para algumas vítimas culparem outras vítimas, mas não faz sentido escolherem como alvo os que já foram vítimas do cadastro do seu país. Conheço o Mamadou há vinte anos. Estive com ele em dezenas de batalhas. No campo anti-racista mas também por direitos laborais e sociais. Foram mais as vezes que discordámos do que aquelas em que estivemos de acordo, mas ficou a certeza, que estou certo que ele partilha, que estamos na mesma trincheira na defesa dos direitos humanos e no desejo de uma sociedade que não se baseie na exploração do ser humano pelo ser humano. Mamadou é mais português do que qualquer fascista, pois a nacionalidade do fascismo é a ditadura dos patrões contra quem trabalha, o esmagamento dos de baixo, onde Mamadou se encontra, e o paraíso da casta que a cada dia tenta que Portugal recue dos seus avanços.

Renato Teixeira
jornalista e consultor de comunicação