Margarida Calafate Ribeiro

ACONSELHO-VOS A LUTA

É sempre nas palavras dos poetas que encontro as palavras justas para os momentos de injustiça, discriminação, maldade. Dizia o poeta Fernando Assis Pacheco em Cuidar dos vivos, “aconselho-vos o amor, aconselho-vos a luta”. Corria o ano de 1963, o poeta e o homem a desfazerem-se nos campos da guerra colonial em Angola. Mas, apesar de tudo, a luta. A luta contra esse mundo desumano da guerra, contra esse mundo velho que aquela guerra afirmava contra a liberdade dos povos, contra a vida.

Hoje de novo “aconselho-vos a luta” por esse mundo novo pelo qual lutas, Mamadou, pelo qual tantos lutam e lutaram, um mundo em que todos possam falar e viver em paz. É esse mundo mais justo, mais digno, mais humano, mais luminoso que queremos deixar aos nossos filhos, contra esse mundo velho que não acaba de morrer.

A luta continua, Mamadou!    

ACONSELHO-VOS O AMOR

Aconselho-vos o amor:
o equilíbrio dos contrários.
Aconselho-vos o amor cheio de força;
os moinhos girando ao vento desbridado.
Aconselho-vos a liberdade
do amor (que logo passa
— vão dizer-vos que não —
para os gestos diários).

ACONSELHO-VOS A LUTA.

Fernando Assis Pacheco

Margarida Calafate Ribeiro
investigadora do centro de estudos sociais, universidade de Coimbra