Isabel Moreira

Era uma vez, em Portugal, um regime fascista que, durante 48 anos, oprimiu, explorou e reprimiu, tentando aniquilar um dos direitos mais básicos e fundamentais da nossa existência, a liberdade. Paralela e inevitavelmente, durante esses terríveis 48 anos surgiram movimentos de Resistência. Milhares, gente de carne e osso que arriscou e deu a vida numa luta desigual, mas resistindo ao pérfido regime. Todo e qualquer um desses milhares de heróis e heroínas contribuíram para que no dia 25 de Abril de 1974 surgisse “…a madrugada que tanta gente esperava…” (Sophia de Mello Breyner Andresen).

Praticamente 48 anos depois desse rasgo de esperança, parece até um pesadelo ter gente, de que nem imagino de que seja feita, a querer deportar um cidadão português, só porque não lhes cai bem ouvir a sua voz, apenas porque defende os direitos humanos, combate o racismo, luta pela democracia e denuncia crimes de violência policial. A mim, parece-me inaceitável e impensável!

Mamadou Ba, enquanto houver racismo, desigualdade de oportunidades, desigualdade de género e outras atrocidades que ponham em causa o estado democrático, a tua voz tem que ficar.

Mamadou Ba, fica!

Isabel Moreira
professora