Caim Macau

Dou todo o meu apoio a Mamadou Ba, e se me perguntarem porque fica, a única resposta que tenho a dar é porque sim. Dizer que ele fica porque defende direitos humanos, combate racismo, denuncia a violência policial, luta pela democracia, etc, é um erro lógico, pois está implícito que temos de provar alguma coisa, de justificar algo. Mamadu Ba fica porque sim.

Prefiro antes responder a outra questão: porque existe sequer espaço político para se colocar em hipótese a deportação de Mamadou Ba? Se nos debruçarmos a sério sobre esta questão, iremos perceber toda uma teia de racismo institucionalizado, sendo neste caso específico assumido na forma de direitos humanos usados como pedra de arremesso dos partidos políticos. Estes partidos que se afastaram da extrema direita mais recentemente, se afastaram por essa mesma extrema direita, representada pelo Chega, não se querer moderar. Ou seja, atiraram o humanismo como pedra para parecerem uma direita mais boazinha. Quantas vezes não ouvimos até da direita que “não podemos discriminar cidadãos com base na raça ou na etnia”. Quantas vezes ouvimos já o Presidente da República a defender isso. No entanto, esses valores humanos pouco contam quando é para homenagear um criminoso de guerra, tal como foi Marcelino da Mata. O objectivo é muito simples: manter paz social com base na criação de inconsciência e na dormência das pessoas racializadas.

Tenho uma frase que diz “luta pelos teus direitos e talvez os tenhas. Luta contra os dos outros, e de certeza que os perderás”, e todos aqueles que todos os dias reduzem a sua atividade política a mandar os outros para as suas terras, a apontar o dedo ao negro, ao chinês, ao cigano, às mulheres, aos LGBTQIA+, não percebem o quão os poderosos os querem fazer desviar a sua atenção das suas condições laborais precárias, das suas rendas exorbitantes, etc.

Assim sendo, dou todo o meu apoio a Mamadou Ba para todas as atividades políticas que ele, e todos os activistas anti racistas com que ele trabalha, realizem. Não só porque é o mais correcto de se fazer mas porque eu, enquanto homem racializado, asiático descendente, que já passou por racismo e já foi perseguido por neo-nazis, me sinto representado por eles. 

Caim Macau
programador e estudante