Riça

Conheci o Mamadou na fundação da Rede Anti Racista, em 1998.

Para poder estar presente perdeu o emprego, foi despedido. Essa situação ensinou-me duas coisas, como um soco no estômago: A primeira sobre a realidade do racismo. A segunda, sobre as motivações e as prioridades.

Quero pessoalizar o mínimo possível este texto, mas fica difícil quando és um jovem anti racista e te deparas com um exemplo assim. Nem quero falar de percursos pessoais. O Mamadou, como qualquer anti racista, não merece uma medalha ou condecoração, porque essas estão cheias de sangue. O Mamadou merece o melhor que as escolhas e as suas convicções lhe trazem, a solidariedade e o carinho de quem luta ao lado dele, porque não há maior medalha do que ter um ombro companheiro para se lutar.

O Mamadou foi atacado pela cor da pele e pela insolência de alguém com essa cor de pele poder falar tão alto, tão bem e tão certeiro. O Mamadou incomoda pela capacidade crítica e de como a expõe. O Mamadou merece toda a solidariedade, porque, desde que eu o saiba ele continua a ensinar sobre a realidade do racismo, as motivações e as prioridades.

Riça
militante anti racista, eco trolha, anti capitalista