Ariana Furtado

Há uma urgência nesta luta.

Uma luta que ser digna, frontal e honesta. Uma luta onde cada palavra, não seja retirada do seu contexto, repartida em mil significados, amassada e arremessada permanentemente contra pessoas de carne e osso, de vivências significativas e reais, de diferentes gerações e proveniências e para quem este sistema sempre foi subtilmente, por vezes, mas permanentemente, opressor.

E o que têm estas pessoas em comum? A cidadania portuguesa e o direito a ter voz.

Há uma urgência nesta luta com todas as vozes. Vozes discretas, introspetivas, conciliadoras, afirmativas, mas também vozes grossas, disruptivas e suscitadoras das reações mais violentas e cruéis desta tão portuguesa sociedade.

Todos seremos sempre poucos para defender uma democracia participativa e construída com todos. E é isso que define uma cidadania. Pedir a deportação de um cidadão português é na verdade atentar contra a constituição portuguesa, porque na verdade ela não permite a distinção entre cidadãos originários e cidadãos naturalizados.

Ariana Furtado
professora do primeiro ciclo