Ana Paula Costa

Mamadou Ba fica e com ele também ficarão todas as pessoas migrantes que escolheram viver em Portugal. É inadmissível que num Estado democrático de direito exista espaço para movimentos que violam os direitos humanos e a dignidade das pessoas. Os ataques racistas e xenófobos que Mamadou Ba têm sido vítima é uma demonstração de uma realidade cruel: Portugal ainda não superou o passado colonial,  o etnocentrismo ainda está impregnado na mentalidade coletiva e não há um reconhecimento do Racismo. Não se pode admitir o crescimento da extrema-direita sob a justificativa de liberdade de expressão e opinião. Discursos que movimentam e incentivam violência, racismo e xenofobia não são liberdade de expressão e devem ser punidos. Portugal tem de encarar com mais seriedade o Racismo, pois as políticas públicas existentes não são suficientes para a promoção da igualdade racial. As pessoas negras e imigrantes ainda são vistas como inferiores: eis o passado colonial e etnocêntrico não ultrapassado. Todos os dias alguém é vítima de racismo e xenofobia, e muitas dessas pessoas são silenciadas porque têm medo ou pensam que não são portadoras de direitos. O hoje é reflexo de que o Racismo nunca foi encarado de maneira séria e retirou das pessoas negras aquilo que é mais genuíno: o direito de viver e não apenas de sobreviver. 

Ana Paula Costa
doutoranda em Ciência Política, especialidade em Políticas Públicas