Miguel Cardina

Os ataques de que foi alvo Mamadou Ba representam o pior de uma sociedade profundamente permeável ao racismo. Um racismo que tem as suas raízes numa história colonial violenta e em concepções de humano e de cidadania que, quando postas em causa, negam voz às subjetividades negras e a militâncias antirracistas. Defender Mamadou é defender um cidadão cuja intervenção pública nos insta a confrontar a persistência da desigualdade. É defender um corpo e uma voz que, com grande coragem cívica, tem lutado pela democracia, pela igualdade e pelos direitos humanos.

Miguel Cardina
historiador / investigador no CES/UC